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sábado, 1 de novembro de 2014

Ainda espero por você


Eu sempre te espero, todas as manhãs, todas as noites, acho que foi um erro chegar a esse ponto e agora estou pagando por isso. A vida segue para mim, para você, e embora ela nos force a isso, eu continuo aqui te esperando . 

Tenho te sentido tão longe de mim, como aquela estrela que  vejo todas as noites, tão longe a ponto de eu não saber se o que existiu ainda vive, ou o que vejo é apenas o rastro do que um dia viveu.

Da mesma maneira que você chegou, sinto que está partindo, de maneira calma, sorrateira, inconsciente. Mas quer saber? Eu também vou me acostumar a isso, eu sempre me acostumo. Não sinta medo de seguir em frente, não por mim. Ainda estarei aqui  olhando quando sair pela porta, ainda ficarei aqui por algum tempo até que eu também resolva partir.


sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Aquarela



Sabe, alguns dias no passado ao acordar eu via tudo cinza.
E era sempre a mesma coisa, todos os dias a mesma aquarela, 
nada florescia a beira da minha janela.
Então eu esperava sempre pelo que viria amanhã, na verdade ainda espero, 
mas agora é diferente, deixei de ser só mais um borrão cinza de tinta e comecei a ganhar cores, 
alguns tons vermelhos, outros azuis, e até roxo, acredita?
Sabe aos pouquinhos tudo está mudando, ganhando vida, 
como quando uma criança pinta, sem respeitar os contornos, 
fugindo aos padrões, seguindo o curso da imaginação, do coração.
A grama pode até ser verde, mas também pode ser lilás, laranja, 
e quase sempre tem um sol amarelinho, vermelho-alaranjado, 
um sol grandão, assim como você, 
destes que aquecem o coração só de a gente ver contrastando
com as outras cores no papel.
É, você é esse sol, e todas essas cores, 
primárias, secundárias e o que mais surgir de toda essa mistura boba, 
infantil de criança feliz que sabe o que quer da vida.
Hoje é um dia diferente, acordei e tive aquela sensação estranha,
sensação de renascimento, e tudo isso só por saber que você está por aí em algum lugar.
E agora posso ver também, que as flores, já começaram a desabrochar.




sábado, 15 de março de 2014

Não sei quem você é




E de repente em meio a todas aquelas conversas e sorrisos, 
em meio a gargalhadas, avistei um rapaz no fundo da sala, 
um rapaz calado com um livro nas mãos, 
rapaz bonito, com os lábios rosados. 
E nesse momento me dei conta que ele sempre esteve ali, 
parado, calado, no fundo da sala, 
as vezes pensativo  a olhar para o nada, 
as vezes com o seu livro. 
Engraçado é que ele nunca falou comigo, e nem eu com ele, 
apesar de já estarmos na mesma sala pelo segundo período. 
Na hora me veio  a cabeça aquela curiosidade sobre o que ele deve pensar, 
já que todos conversam entre si e ele só fica a observar. 
Que tipo de mundo se passa naquela mente? Quais são os medos, frustrações?  
De nada sei, e nem imagino, na verdade nem do seu nome eu me lembro, 
sei que já ouvi uma, ou duas vezes, mas me fugiu à memória neste momento.
A aula termina e ele se levanta, passando por mim com o seu livro nas mãos, 
não esboça em seu rosto nenhum sentimento, não troca olhares e nem diz até mais, 
apenas segue em direção a seu destino, com os olhos fixos na saída, 
porém acho que nesse instante pude sentir o que o rapaz desejava.
Como um passarinho, só buscava a liberdade. 
Abriu a porta e enfim saiu da sala.


quarta-feira, 12 de março de 2014

Ainda sinto a sua falta



É, esse fantasma ainda ronda meus pensamentos.
Toda aquela beleza efêmera me fazia bem, me fazia alguém.
Todo aquele amor puro, inocente, 
sem interesse, sem intenções.
Apenas amor, verdadeiro, infantil.
Aquela necessidade gostosa de amar, acariciar, morder e arranhar.
Tudo o que eramos quando estávamos juntos,
 a vida colorida, o mundo mais fácil.
Ainda consigo sentir, as vezes, suas pisadas leves, 
seu cheiro suave, os seus sons de alegria.
Tudo o que sentíamos quando eramos um do outro, 
quando a vida era vida e o vazio não existia.



sexta-feira, 7 de março de 2014

O Assalto


Já não bastando essa tristeza repentina, 
você chegou e paralisou o tempo.
Me pediu o que eu não queria dar, 
mas te entreguei no impulso, 
sem nem mesmo suspirar.

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Já não bastando o que me roubaste, 
agora me persegue em sonho também?
O que levou não foi o suficiente?
 Ainda quer  mais?
Quer roubar minha vida? 
A única pontinha que me resta?

segunda-feira, 3 de março de 2014

Depois da Chuva



Meu pequeno relato sobre um terrível alagamento que tivemos aqui no bairro em 2010. Minha casa não foi atingida, pois eu moro na parte alta, mas muitas pessoas perderam tudo, e alguns a sua vida. Durante uma semana fiquei de voluntária em um abrigo e tudo que eu pude presenciar durante esse período esta relatado neste texto.


Sim eu estava lá, e pude ver de perto tudo aquilo que antes só via pela TV.
Tudo o que se passa nos filmes é comédia diante dessa realidade.
Toda aquela luta diária para construir um sonho foi perdida em uma única madrugada, e todas aquelas vidas se foram como um sopro.
Toda aquela angustiante luta pela vida, pela sobrevivência.
Técnicas ( talvez ), jamais pensadas, atitudes ( talvez ), jamais tomadas e a certeza ( por alguns instantes ) de que todos iriam morrer.
Botes improvisados, trabalho forçado, braçadas, cansaço.
Madrugada a fio, frio.
Abrigo no telhado, laje, terraço, e até em galhos de árvores.
- Estamos com fome, e a chuva não passa.
A água subindo, o desespero vindo.
- Não tem para onde correr, não tem saída. Talvez o morro seja a solução.
A energia cortada, não dava para enxergar. 
Estavam perdidos na mata, o jeito foi gritar.
E gritaram com tanto desespero e tão alto que acho que até Deus pode ouvir. E foram resgatados.
Mas esse era só um caso.
Ainda haviam pessoas na água, pessoas desesperadas. Corpos de crianças, animais.
Pessoas perdidas, desaparecidas, em busca de paz.
A cada resgate ficava no ar um sentimento de alívio, tristeza, frustração.
Crianças e idosos primeiro. 
- Mas e os adultos quem iria salvar? 
Por horas era cada um por si, perdidos naquele lugar.
E todos fugindo dali, tremendo de frio, roxos, iriam congelar.
Em direção aos abrigos, não por opção, deixando para trás suas vidas, pois não tinham mais saída, não dava para voltar.
- Perdermos tudo, o jeito agora é ficar onde tem teto, um cobertor quentinho, comida, agasalho e esperar a água abaixar.
- Pois amanhã será um novo dia, e poderemos recomeçar.


- Tudo passa, tudo passará
E nossa estória não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz
Teremos coisas bonitas pra contar
E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos
O mundo começa agora
Apenas começamos"
( Trecho Da música Metal Contra as Nuvens Legião Urbana )




No próximo mês  completam quatro anos que nossas vidas foram marcadas por essa enchente.


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A porta




 Reflexivo ele olha através da janela.
 E no mais intimo momento de si, abre as gavetas do seu coração e vasculha cada espaço, jogando fora tudo aquilo que já não serve mais. E nesse instante  percebe que muita coisa se perdeu pelo caminho.

- Sempre me imaginei ser alguém, mas hoje vi o tempo passar por mim,  e eu continuo aqui como árvore seca de raízes profundas. Não dou flores, não dou frutos, não me movo. Talvez um dia me arranquem daqui e me façam fogueira,  por alguns instantes irei aquecer um corpo gelado, mas só por alguns instantes. Depois de cinzas para nada mais servirei. Será que é a única coisa que devo esperar? A morte?

 Na verdade, ele não sabia que tudo poderia mudar de repente quando abrisse aquela porta.


E a campainha tocou.

(Blin Blong! Blin Blong!)


*Imagem retirada do Google, se  for sua me avise para que dê os devidos créditos ou para que retire se assim desejar.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O Que Me Falta



Não que eu queira ser como os outros. Apenas queria poder sentir menos.
Menos amor, menos sofrer, sentir menos o vazio, 
ou poder preencher com coisas tolas, coisas vadias, coisas vãs. 
Queria sentir menos o mundo, e assim sentir menos a falta do que me falta.
Pois muitas vezes penso que seja a  falta de não saber o que falta, o que me falta saber.




Beijos no coração. <3

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Desabafo


Poderia lhe dizer muitas coisas, porém prefiro me calar.
Conheço todas as suas fraquezas e sei exatamente como lhe ferir.
Sei o que pensa e entendo perfeitamente o que me faz sentir. 
Vejo todos os seus truques e sei onde quer chegar.
Não adianta, não cairei nessa de novo, e também não quero ouvir esse falso "eu te amo".
Você me conhece tão bem a ponto de usar as palavras certas para me ferir, só que você não sabe, mas eu também sei o que te machuca, e isso poderia doer, acredito que mais em você do que está doendo em mim.
Posso te cercar por todos os lados, posso abrir uma ferida que não será tão fácil cicatrizar.
Porém, mesmo querendo ser má, querendo te  ferir e te ver agonizar, 
desculpe, não sei ser como você.



domingo, 9 de fevereiro de 2014

Lamentos



Há noites que a escuridão me domina, e a lua ilumina meus medos.
Noites de melancolia, noites de vagos lamentos.
Oh bela, por que me olhas? Não vê que estou sofrendo?
Não quero que me ilumine, apague meus pensamentos.




sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Quando te vi





Olhei em meio a multidão,
  haviam tantos olhares se cruzando,
  mas um me chamou a atenção.
  Parei então de súbito,
  faltou me a respiração.
  E mesmo depois de um sorriso,
  sem graça, no canto da boca.
  Segui meu caminho.
  Bamba, tonta, perdida.
  Tentando, enfim, buscar a minha  direção.


                                                                                      

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Nos braços de Deus




Quando te vi me senti livre.
Todas as angustias me abandonaram com o suave pisar na areia,
com apenas um toque na água.
E por alguns instantes me senti alguém, me senti parte sua mesmo diante a toda a sua imensidão. Me senti parte do universo.
Meus poros se dilataram, e meus pelos outrora adormecidos despertaram.
Me cobrindo de uma energia avassaladora, instigante, viciante.
Energia que move e modifica.
Que me fez tornar nova criatura.
Então assim, mais uma vez, quando vi o mar me sentir nos braços de Deus.


                                                                   
                                                                   

sábado, 18 de janeiro de 2014

Saudade


 
Imagem:Valdo Alves


Nunca pensei que sentiria tanto a sua falta
 Mas aqui trancada nesse cantinho, começo a recordar.
Moleque desengonçado de cabelos compridos,
estranho em seu andar.
 Foi chegando de repente,
se tornou uma parte do meu sorriso.
 Dias felizes, vivemos aqui.
 Cenas incríveis, fizemos aqui.
 Abraços ternos, demos aqui.
 Palavras doces, falamos aqui.
 Beijos carinhosos, trocamos aqui.
 Mas tão de repente ele partiu,
 e o "aqui", se diz "aí".
 Nossos braços, já não se cruzam.
 Nossas vozes, não são ouvidas.
 Nossas cenas, são divididas.
 Nossos beijos, são virtuais.
 E a saudade, nem se fala,
rasga meu peito como a ponta de um punhal.
 Não sei, mas talvez com o tempo,
a sua ausência não seja tão presente,
 e a dor, não seja tão constante.
 Talvez,o lembrar, seja uma pequena falta,
uma doce saudade.
 Mas isso, realmente não sei.
 O negócio é esperar, esperar e esperar.
Um dia ele volta.
 Com uma pedra, ou uma folha nas mãos.
Com aquele sorriso gostoso,
aquele andar desajeitado,
e aquele jeito de preencher o espaço,
que só ele tem.
Um dia ele vem,
pra devolver o pedaço do sorriso que levou.
Mas por enquanto,
acho que vou olhar as tulípas.


                                                                                     

                                                                                    

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Maria,minha mãe.




Maria, menina, tinha apenas quatorze anos.
Na época, as meninas não cresciam rápido como hoje. Menina inocente, não passava por dificuldades, sua vida era perfeita. Até que um dia se apaixonou.

_Não sei explicar o que passa aqui dentro. Hoje senti meu coração pulsar, não como o som de uma flauta, ou como o soar de um relógio velho. Mas como o estrondoso som de uma britadeira. Que me sufoca, me agustia, me amedronta, mas que me faz querer sempre sentir. Que sentir é esse?
Hoje ele me pediu uma prova,uma prova do meu amor.

E depois disso vieram os enjoos ,o medo, o pavor.

_Mãe,estou grávida.

Então depois destas palavras todo o peso do mundo caiu sobre suas costas.
Maria em um dia menina, no outro mulher, iria gerar um ser, sentia dentro de si brotar uma vida.
Talvez ela tenha ficado confusa, com medo, mas a realidade era cruel e impiedosa, e não permitia atos inconsequêntes e desmedidos.
Ela via sua vida passando rapidamente, tudo se transformando, mudando. Maria não era a mesma, agora nas mãos onde antes uma boneca, flores. Isso talvez para ele poderia significar seu sepultamento, mas para os outros ela iria se casar no dia do seu aniversário de quinze anos. Ninguém saberia explicar o que para ela isso significava, ninguém nunca fez questão de saber.

Talvez ela casou-se conciênte que a vida então seria diferente. Parou de estudar, teve que trabalhar e crescer. Mas se ela não fizesse tudo errado, fizesse dos seus planos o contrário, talvez eu não existiria, e aqui eu não estaria.

Maria, minha mãe.



                                                            


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